sábado, 21 de maio de 2011

Diário de estrada..

                                           



Certo dia, ao voltar para Serra Talhada, uma senhora que viajava ao meu lado me fez refletir..
Ela dormia tranquilamente enquanto eu a observava, velava seu sono.Será que dorme? Ou descansa? Ou se deleita num pequeno instante depois de tantos anos de luta.
Os traços do tempo mostravam em seu rosto as batalhas do dia-a-dia, de quem durante anos teve de batalhar pela própria vida..
Os cabelos brancos esvoaçavam com o vento que vinha da fresta, juntamente com um feixe de luz que vinha de cima.. Do céu..De Deus, que parecia contemplar admirado, assim como eu, a suavidade daquele momento!
E os minutos corriam, e eu nao parava de pensar, em tudo que aquela senhora ja poderia ter passado nesta vida.E me perguntei: Será que chegarei a contar histórias para meus descendentes? E quais histórias terei para contar?Se a juventude nos nossos dias, torna-se cada vez mais fútil, e fica impossivel de entender de onde vem tanta futilidade..
Nao quero que minha juventude fique marcada por meros instantes, estes os quais talvez nao se retire nenhum momento histórico para contar..Quero mais, muito mais do que esses jovens por ai que pensam apenas em curtir, sem nenhuma responsabilidade. Logicamente, deve haver o momento de alegria, mas a responsabilidade atualmente, é cada vez mais requisitada, por essa sociedade que nos cobra tanto, e que afinal, devemos satisfações, ja que vivemos em comunidade!
Nao quero que minha vida seja constituida de futilidades, e pra que tantos se vangloriam por aquilo que nao é seu?Nao quero ser fútil, quero ser ÚTIL..Para que, quando meus cabelos brancos estiverem mostrando o meu tempo, tempo pretérito, eu tenha algo de bom, de verdadeiro, de engraçado, de construtivo para contar..
E para que esses momentos que eu possa vir a contar um dia nao sejam esquecidos, quando a minha velhice chegar, deixo meus escritos para que eles possam ser lembrados por quem ainda tem memória, e para que eles um dia, nao passem em branco, nao fiquem perdidos no labirinto da minha memória, quando eu nao puder mais lembrar nem quem fui,,

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